
Num belo entardecer,
ele observava o por do sol, o avião estava prestes a partir, seus olhos caminhavam lentos através de suas lentes "para longe e para perto", (um multifocal que não era "transition"), levando-a de um canto a outro, onde tentava memorizar cada detalhe, afinal ela em breve, embarcaria para o Japão. Mas não este país moderno que se vê em filmes e reportagens, sua viagem era pelo tempo, ela se veria no Japão antigo, O Japão de Xogum...
Repentimamente, uma luz forte e centralizada iluminou-a e ela se deixou cair absorta num tunel do tempo. ...Havia idosos japoneses, magérrimos, sendo atendidos por pessoas prestativas, mas havia um lugar especial para ela.
Havia uma especie de capela, donde cristais pendiam e alguns vinham a quedar-se, havendo o perigo de ferir-se. Achou mais prudente deixar o local. Havia alguem junto dela, mas indefinível. Ouvia -se uma voz...
Breve aconteceria o encontro com quato jovens/masculinos (diga-se de passagem), dos quais, disse-lhe a voz, o encontro do olhar seria o sinal, o encontro das almas. Todos orientais.
Olhou o primeiro, vestido sobriamente, uma espécie de fraque, muito elegante (Inverno). mas não teve retorno seu olhar. Saltou para o outro, estatura mediana, elegante (outono). Em seguida, passou seus olhos por um jovem magro, vestindo roupas do cotidiano, camisa e calça, mas era muito magro mesmo, não registrou que era observado (verão?) ah!, subitamente, ela elevou seus olhos para o último rapaz, pele clara, olhos mais amendoados, cabelos mistos soltos finos, na altura da orelha, leve sorriso, covinhas na face e, especialmente, seu olhar enlaçou-se ao dela! Simplesmente abraçaram-se...havia sintonia, aconcheco, companheirismo, lucidez, prazer em estarem juntos, apenas ali, abraçados, mesmo que o mundo se acabasse, ela finalmente descobriu que não estava tristemente só neste mundo.
Que belo sonho...